Evento reuniu profissionais da saúde, gestores, entidades médicas e familiares para destacar avanços do Teste do Pezinho e desafios do diagnóstico precoce no Estado
Profissionais da saúde, gestores públicos, representantes de entidades médicas, pacientes e familiares participaram, nesta sexta-feira, 12/06, no auditório do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (CREMERS), da solenidade em comemoração aos 25 anos do Serviço de Referência em Triagem Neonatal do Rio Grande do Sul (SRTN-RS). A programação destacou a trajetória do serviço, as conquistas alcançadas ao longo de duas décadas e meia e os desafios relacionados à ampliação do diagnóstico precoce de doenças raras e congênitas por meio do Teste do Pezinho.

O evento reuniu representantes das secretarias municipal e estadual da Saúde, do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, do CREMERS, da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo, além de especialistas de diferentes áreas envolvidas na assistência, pesquisa e acompanhamento dos pacientes. Durante a abertura, autoridades ressaltaram a importância da triagem neonatal como uma das principais estratégias de prevenção e promoção da saúde infantil.
A coordenadora do Serviço de Referência em Triagem Neonatal do Estado do Rio Grande do Sul, Vivian Spôde Coutinho, destacou a importância da atuação integrada entre profissionais, instituições e gestores para os avanços alcançados ao longo dos 25 anos do serviço. “É essa união, esse compromisso coletivo, que faz a diferença e garante o sucesso do nosso trabalho, que é salvar vidas”, afirmou Vivian.

Ao longo desse período, mais de 2,5 milhões de recém-nascidos foram triados no Rio Grande do Sul. O diagnóstico precoce possibilitado pelo Teste do Pezinho impactou positivamente mais de 2,6 mil vidas, permitindo o início oportuno do acompanhamento e do tratamento de crianças identificadas com doenças investigadas pelo programa. Vivian também ressaltou que a triagem neonatal no Estado deve avançar em breve, com a inclusão de mais duas doenças: atrofia muscular espinhal e imunodeficiências primárias.
Uma das organizadoras da programação comemorativa, a endocrinopediatra Dra. Cristiane Kopacek destacou o legado construído por diferentes gerações de profissionais. “Esta comemoração é uma forma de agradecer a todos que ajudaram a construir essa história. São 25 anos de dedicação, pesquisa, assistência e trabalho em equipe para garantir que cada criança tenha a oportunidade de receber diagnóstico e tratamento no momento certo”, ressaltou.
Para o secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, a história do serviço demonstra a importância das políticas públicas voltadas à infância, especialmente quando associadas ao diagnóstico precoce e à prevenção. Segundo ele, a gestão em saúde exige escolhas responsáveis diante de um orçamento limitado.
“A saúde tem preço, mas é claro que existe um orçamento finito. Cabe a nós, que aceitamos assumir um papel dentro da gestão, priorizar. Infelizmente, não conseguimos fazer tudo, mas temos que fazer escolhas por aquilo que salva vidas”, afirmou.
Ao falar sobre a trajetória da triagem neonatal no Rio Grande do Sul, o secretário ressaltou o papel dos hospitais públicos, dos profissionais de saúde e, em especial, do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, referência no serviço.


“A triagem neonatal começou dentro de hospitais públicos e foi conduzida pelo Hospital Materno Infantil Presidente Vargas. É importante dizer que esse é um hospital público, feito por servidores públicos e por parceiros que trabalham lá e fazem toda a diferença”, destacou.
Representando a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a médica pediatra Rita de Cássia Silveira enfatizou que a triagem neonatal é um avanço fundamental, mas que o diagnóstico precisa estar acompanhado de acesso ao cuidado adequado.
“Percebemos uma desigualdade muito grande no Brasil em relação ao acesso e à organização dos serviços. Aqui, temos muito orgulho de ser gaúchos e muito orgulho do Rio Grande do Sul. A trajetória de implantação e fortalecimento da triagem neonatal no Estado exigiu um esforço coletivo, envolvendo profissionais de diferentes áreas e níveis de atuação. Sabemos que não foi uma trajetória fácil. Houve um movimento enorme de múltiplos profissionais, em todos os níveis, porque também sabemos que não basta o diagnóstico. Nós temos que garantir sobrevida com qualidade de vida”, destacou.
Segundo ela, o desafio está em assegurar que, a partir do diagnóstico, a criança tenha acesso às terapias adequadas no tempo certo.
“Organizar um seguimento que, a partir do diagnóstico, garanta acesso às terapêuticas adequadas no tempo certo não é simples. Exige um esforço enorme. É importante que os gestores percebam isso e lutem conosco, porque a saúde é o bem maior. Se garantimos sobrevida com qualidade de vida desde os primeiros dias do bebê, estamos contribuindo para formar um adulto potencialmente capaz de gerar recursos para a sociedade. Isso também é economicamente muito relevante”, concluiu.
Também participaram da cerimônia a diretora-geral adjunta da Secretaria Estadual da Saúde, Claudia Daniel; o vice-presidente do CREMERS, Eduardo Trindade; o diretor-geral do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, Marcos Slompo; a presidente do Serviço de Referência em Doenças Raras do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Têmis Félix; e a presidente da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo, Carolina Fischinger.
Ao longo do dia, especialistas abordaram temas relacionados à evolução laboratorial da triagem neonatal, hiperplasia adrenal congênita, fibrose cística, anemia falciforme, hipotireoidismo congênito, fenilcetonúria e perspectivas para a ampliação do programa, reforçando o papel do Rio Grande do Sul como referência nacional na área.
A programação contou com homenagens a profissionais, instituições e apoiadores que contribuíram para a implantação, consolidação e crescimento do serviço ao longo dos últimos 25 anos. Também foram apresentados avanços científicos, pesquisas desenvolvidas no Estado e perspectivas futuras para a ampliação da triagem neonatal.
Redação: Marcelo Matusiak
Sobre a Sociedade de Pediatria do RS
A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul foi fundada em 25 de junho de 1936 com o nome de Sociedade de Pediatria e Puericultura do Rio Grande do Sul pelo Prof. Raul Moreira e um grupo de médicos precursores da formação pediátrica no Estado. A entidade cresceu e se desenvolveu com o espírito de seus idealizadores, que, preocupados com os avanços da área médica e da própria especialidade, uniram esforços na construção de uma entidade que congregasse os colegas que a cada ano se multiplicavam no atendimento específico da população infantil. Atualmente conta com cerca de 1.750 sócios, e se constitui em orgulho para a classe médica brasileira e, em especial, para a família pediátrica.


