Saúde cardiovascular da mulher exige atenção ao longo de toda a vida

A saúde cardiovascular feminina exige atenção a fatores que podem surgir em diferentes fases da vida. Gestação, menopausa, alterações hormonais e histórico ginecológico podem trazer informações importantes para a prevenção das doenças do coração. O tema integra as discussões relacionadas à prevenção e à avaliação individualizada do risco cardiovascular no Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS) 2026, que ocorre de 24 a 26 de setembro, no Wish Serrano Hotel e Centro de Convenções, em Gramado.

Para o cardiologista Dr. Daniel Souto Silveira, os fatores tradicionais, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo e sedentarismo, continuam fundamentais, mas não devem ser analisados de forma isolada nas mulheres.

“A doença cardiovascular continua sendo uma das principais ameaças à saúde da mulher, mas ainda é frequentemente subestimada. O erro começa quando avaliamos o risco feminino apenas pelos fatores tradicionais. Eles são fundamentais, mas não são suficientes”, explica.

Condições como síndrome dos ovários policísticos, menopausa precoce, doenças autoimunes e complicações durante a gestação também podem servir como marcadores de risco. Pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional, diabetes gestacional e parto prematuro, por exemplo, merecem permanecer no histórico clínico mesmo anos depois da gravidez.

“A gestação funciona como um verdadeiro teste de estresse para o organismo. Pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional, diabetes gestacional e parto prematuro não devem ser vistos apenas como problemas restritos à gravidez. Esses eventos sinalizam maior risco cardiovascular no futuro”, destaca o cardiologista Dr. Daniel Souto Silveira.

A menopausa também merece atenção. As alterações hormonais podem estar acompanhadas de mudanças na pressão arterial, colesterol, distribuição da gordura corporal e metabolismo da glicose, reforçando a importância do acompanhamento cardiovascular nessa etapa da vida.

Dor ou desconforto no peito, falta de ar, cansaço incomum, palpitações, tontura e redução da capacidade física devem ser avaliados quando surgem de forma nova ou persistente.

“Precisamos abandonar a ideia de que a doença cardiovascular é predominantemente um problema masculino. A história ginecológica e obstétrica precisa fazer parte da avaliação cardiovascular para que possamos identificar riscos e atuar mais cedo na prevenção”, pontua Dr. Daniel.

No Congresso SOCERGS 2026, a avaliação individualizada dos pacientes e a aplicação das evidências científicas na prevenção e no tratamento das doenças cardiovasculares estarão entre os eixos da programação. O evento terá como tema central “Entre a inovação e a evidência: decisões práticas para o cardiologista”.

Outras informações podem ser obtidas no site do evento https://www.socergs.org.br/congresso2026/

Redação: Marcelo Matusiak

Leci da Silva
Sobre a autoraLeci da SilvaJornalista Responsável Editorial · MTB 11.972

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